Isolamento — a público-dependência

Opinião de João Costa

João Bruto da CostaEm visita estatutária à ilha das Flores, o Presidente do Governo, Vasco Cordeiro, declarou ser essencial que as ilhas mais pequenas tenham investimento público. Não deixa de ser verdade que em ilhas onde não há captação de investimento privado, onde as frágeis economias não encontram modelos de sustentabilidade e onde o isolamento se tem acentuado com o passar dos anos, só os investimentos públicos geram algum movimento na economia.

Mas se isso não surpreende, pois é doutrina socialista fazer depender dos dinheiros públicos alguma economia – veja-se a teoria económica do actual governo da república – não apenas as ilhas mais pequenas, mas todos os Açores deveriam merecer, por parte de Vasco Cordeiro, igual distinção, ou seja, ser essencial que todas as ilhas tivessem investimentos públicos.

O que torna esta distinção das ilhas mais pequenas uma confessa incapacidade dos governos socialistas com 20 anos de poder é o facto de não terem existido políticas capazes de gerar economia privada, investimento privado, emprego privado e, em geral, riqueza que fosse sinónimo de sustentabilidade e garantia de um futuro mais promissor.

As ilhas, que já ninguém chama de coesão sob pena de passarmos a ser o “arquipélago da coesão”, vivem ciclos de grandes obras públicas que mascaram os problemas mais profundos e geram ilusão de pujança económica. O problema, é que não podemos viver apenas do investimento público em obras de regime, a não ser que essas obras tenham propositadamente erros e vícios para que ocorram obras em cima de obras para todo o sempre. Há exemplos disso, mas não é desejável que assim se continue.

Outro problema é que os investimentos públicos, em obras mais ou menos faustosas ou em outras essenciais, são maioritariamente dependentes em exclusivo de fundos da União Europeia, que apesar de alguns acharem que os devemos gastar à grande, chegará o dia em que a Europa se questionará sobre a necessidade de tão grande volume de dinheiro para desenvolver uma região e esta continuar a depender desses mesmos fundos para que aconteça alguma economia, através de investimentos públicos.

A questão central é sabermos diagnosticar o porquê das ilhas mais pequenas continuarem a ter por essencial alguns sacos de cimento e afins para o seu desenvolvimento.

Na realidade, isto continua a suceder porque continuamos a ter no governo quem já se enredou de tal forma em vícios de governação, em dogmas, em preconceitos e em ciclos viciosos que se torna impossível esperar algum rasgo de imaginação, de capacidade de inovação ou até, simplesmente, de constatação do óbvio; uma das principais razões para a inexistência de economia privada nas ilhas. E esse óbvio é o contínuo isolamento que decapita a possibilidade de um mercado interno potenciador das pequenas economias, dos pequenos negócios privados, da criação de emprego, do empreendedorismo e, por fim, da não exclusividade do investimento público para que ocorra alguma actividade económica.

Passados mais quatro anos em vinte de governos liderados pelo PS, as ilhas não conseguem aproximar-se para negócios comuns; o mercado interno contínua uma miragem, em certos casos é mais fácil ter trocas comerciais com longínquos mercados do que com uma ilha vizinha; continuamos a não explorar as potencialidades produtivas dos Açores e a ter um governo incapaz de sair do seu jogo de poder e de obediências para quem uma obra pública é essencial, não só para movimentar as ilhas como para sustentar dependências.

 

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