Medida sem desenvolvimento

Opinião de João Costa

João Bruto da CostaRecebi no correio uma revista do PS com o título: “Prestar Contas”.

Fiquei curioso acerca do acerto de contas com a Graciosa em confronto com o programa eleitoral do PS de 2012 e fui procurar o que era dito sobre o grau de cumprimento de alguns assuntos que interessam aos Graciosenses e para os quais foram prometidas resoluções.

É um facto que prometer reabilitar estradas em 2012 e depois dizer que não o fazem, porque há limitações ao financiamento comunitário por culpa do Governo da República é uma desculpa esfarrapada, principalmente quando na mesma rubrica de reabilitação de estradas encontramos uma estrada com obra a decorrer e outras em que dizem estar com projectos em curso. Podia dizer-se que a obra que está a decorrer não tem fundos comunitários associados, mas não é o caso e até lhe chamaram “intervenção em circuito logístico terrestre”, com mais de 800 mil euros de fundos europeus!

Por aqui fiquei céptico com esta revista que se apresenta como uma prestação de contas, mas que rapidamente se tornou num instrumento de propaganda com meias verdades. Mas se as estradas podem parecer um somenos na visão integradora do desenvolvimento da ilha, que não se limita a obras e betuminoso, descubro, confesso que sem espanto, que o PS considera que a promessa de 2012 de “Reforçar a importância da Graciosa como destino de turismo termal” é uma “medida em funcionamento”!!!

Ora, se o que se passa com as Termas do Carapacho e a sua relação com o prometido reforço da importância da ilha como destino turístico é uma “medida em funcionamento”, ficaram os Graciosenses a saber que o conceito de uma “medida em funcionamento” é uma coisa sem sentido, sem razoabilidade e sem correspondência com a realidade. A legislatura terminará sem que as Termas do Carapacho possam ser uma mais-valia para o reforço da ilha como destino de turismo termal e com o escândalo de se terem gasto mais de 3 milhões de euros para uma valência em estado devoluto e consideram isso uma medida em funcionamento?

Ficamos esclarecidos quanto ao conceito de “medida em funcionamento” para quem governa há 20 anos consecutivos e que traduzido significa: Não cumprido!

Encontramos o mesmo conceito na área da saúde: “deslocações de especialistas” e “estabilidade do quadro médico”, são “medidas em funcionamento”, ou seja, como bem sabem os graciosenses: não cumprido! Como caricatura de uma revista de pré-campanha que acompanhou a visita do Governo Regional, encontro essa preciosa informação de que está em execução a requalificação da escola da Praia. Como? Está em execução a requalificação da escola da Praia? Fiquei ainda mais esclarecido, afinal esta revista não se destina a prestar contas, mas sim a fazer de conta!!!

Faz de conta que uma “medida em funcionamento” é algo que se está a fazer e de que uma obra prometida não implica a sua execução, mas uma declaração de que se pretende executar. Os graciosenses merecem mais respeito!

Muito mais poderia apontar sobre estas manigâncias, mas não podia terminar esta crónica sem falar da notícia que rematou o dia em que o Governo Regional terminou a sua visita à Graciosa: uma doente oncológica, idosa, a necessitar de cuidados paliativos, não os pode obter gratuitamente em S. Miguel pois não pode viajar devido o seu estado de saúde.

A alternativa é o Serviço Regional de Saúde ficar com 80% da sua reforma de pouco mais de 300 euros para lhe prestar os cuidados de que necessita na ilha.

Uma vergonha para quem se diz socialista!!!

 

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