Despovoamento do Topo: difícil chegar e fácil partir

Opinião de Paulo Teixeira

TeixeiraA zona do Topo sempre foi “um fim de mundo” onde durante séculos as pessoas contaram consigo e com a sorte do destino. Parece continuar assim: considerada a 10ª ilha pelo isolamento de uma população em que muitos, até 1980, nunca chegaram a ir à sede do Concelho, mas se calhar foram a Angra, porque o Topo tinha um Porto para as condições da época. O problema é que cada vez há menos pessoas dispostas a continuar isoladas, num mundo cada vez mais globalizado e que oferece soluções menos penosas. Até ao 25 de abril foi o que foi. Depois veio a Autonomia. Vieram os governos democráticos, do PSD até 1996 e faz 20 anos deste governo do PS.

E 20 anos é muito tempo! Foi-se adiando o Topo. Como quem diz, nunca se fez a obra do Porto do Topo.

Obra esta que podia ter sido salvadora de toda esta zona, mas não! Para quê? É só esperar mais um bocadinho: o doente morre e poupa-se na cura.

Falta de visão estratégica ou abundância de decisões a contento de dois ou três iluminados levaram ao sucessivo adiamento do Porto do Topo, onde a entrada e saída de passageiros (criação de eventual 2º triângulo com Terceira e Graciosa), seria valor acrescentado para a Vila do Topo, a Vila e Concelho da Calheta, bem como para a ilha de São Jorge.

Perdiam, eventualmente, o Pico e o Faial. Porque, talvez, hoje fosse o aeroporto de São Jorge a obra de maior necessidade no Triângulo…É impressionante como uma ilha em pleno centro do arquipélago não se conseguiu afirmar como a placa giratória entre estas 5 ilhas centrais.

Lembrando um ilustre jorgense, que defendeu a sede do “Governo Regional” na ilha de São Jorge: e porque não dar importância de órgão vital à ilha mais central?

São Jorge tem sido delapidada do seu direito natural quando é o coração dos Açores, onde devia palpitar vida. Pelo contrário,definha gradualmente: não podendo contar com quem nos governa, sem massa crítica própria para combater o conformismo que se instalou e muitas vezes prisioneiros de um sentimento que Osvaldo Cabral, num editorial do jornal “Diário dos Açores”, classifica de “clima de medo quando se trata de denunciar o que está errado.”

No Topo ficamos, muitas vezes, à nossa sorte…como no passado. A diferença é que continua a ser muito difícil cá chegar mas é cada vez mais fácil partir…

Assim vamos assistindo, pacificamente, ao despovoamento da zona do Topo.

 

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