Fica para a próxima

Opinião de João Costa

João Bruto da CostaO Primeiro-ministro, António Costa, visitou a ilha Graciosa onde jantou e pernoitou no âmbito da anunciada cimeira entre os governos regional e nacional.

É certo que houve felicidade em algumas hostes pela visita de Estado à ilha Graciosa. Houve até quem achasse que era a primeira vez que tal acontecia, esquecendo que já antes Sá Carneiro, Pinto Balsemão e Cavaco Silva tinham visitado a pequena ilha Graciosa, na qualidade de chefes de executivo. Mas isso até nem interessa muito, pois já sabemos que estas coisas levam sempre a alguns momentos de memória selectiva, própria dos momentos políticos e adaptada às intenções propagandísticas que mais interessam.

É sempre bom receber na nossa terra um visitante ilustre, com vasta comitiva, o que gera expectativas altas e desejos de que sejam dadas respostas a problemas mais sérios.

Não é de ignorar que isto sucede porque em terras mais isoladas, onde os problemas se avolumam de ano para ano, os habitantes suspiram com a possibilidade de uma qualquer solução ou de uma qualquer resposta que vá ao encontro do seu desejo de ver a sua terra andar para a frente e sair de um certo desânimo colectivo que aflige boa parte da comunidade.

Não seria de esperar que, numa noite, o Primeiro-ministro desse resposta às muitas necessidades de uma ilha como a Graciosa ou sequer que desse qualquer resposta a qualquer dos problemas que a afligem nos transportes, na agricultura, nas pescas, na desertificação humana ou na saúde, até porque, mesmo que não o notem os graciosenses, existe um Governo Regional que detém competências próprias nessas matérias e que visita a ilha, uma vez por ano, em visitas estatutárias onde, ciclicamente, estão ausentes as respostas para as grandes questões da ilha.

Talvez por isso o Primeiro-ministro tenha feito uma visita mais inclinada para a vertente do “passar por cá”, visitando dois projectos na área científica, cuja importância para a ciência não se ignora.

Curiosamente, o voo que transportou a comitiva governamental chegou com algum atraso, aterrando só pelas 19 horas o que sendo primavera não tem qualquer problema, mas que nos faz pensar que se fosse de inverno já não poderia vir, pois a pista não tem iluminação certificada, impossibilitando voos a essas horas.

Já o Presidente do Governo Regional, que acompanhou a vinda de António Costa à Graciosa, limitou-se a um passeio, ou melhor, a uma voltinha de bicicleta, sem revelar qualquer outro interesse nas questões da ilha, que, estou certo, o vão ocupar na última visita estatutária da presente legislatura, invocando empenho desmedido em soluções que, lamentavelmente, não apresentou nestes 4 anos de mandato.

Foi por isso uma pena que não se desse conta dos problemas que o isolamento tem provocado na ilha Graciosa, nem sequer dar a conhecer as potencialidades turísticas da ilha ou as reconhecidas potencialidades produtivas, não ficou o governante a saber das dificuldades de transportes, da crise pela qual passou o turismo no último ano ou da saga que se vive no acesso a cuidados de saúde com as crescentes e recorrentes queixas da população.

Para o Primeiro-ministro Costa, a Graciosa passou despercebida das preocupações – não revelou ter tido conhecimento de nenhuma – e ficou apenas com o desejo de voltar para férias, o que assinalamos com satisfação, pois faz falta turistas.

Para os Graciosenses a visita de António Costa ficou aquém das expectativas e muito longe do desejável. Fica para a próxima!

 

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