O espelho do regime

Opinião de João Costa

João Bruto da CostaSe há empreendimento público que retrata o apodrecimento do regime socialista que governa os Açores vai para 20 anos são as Termas do Carapacho, na Ilha Graciosa.

Trata-se de um verdadeiro “case study” de falta de rigor e de incompetência do executivo liderado(?) por Vasco Cordeiro, a que se juntam um rol de personagens do quotidiano político dos Açores que se instalaram em pequenos poderes e que só não olham o tempo todo para o seu umbigo quando a proeminência da barriga os ocupa na autosatisfação de uma gula pelo poder e pelo domínio da sociedade.

As Termas do Carapacho são um fetiche de um orgulho de regime que se entretém a dar desmando aos milhões dos fundos comunitários e que, seis anos depois de ali se terem enterrado três milhões de euros, voltam a ser um problema de que ninguém é responsável e que atira ainda mais para a periferia do isolamento a ilha Graciosa e as extraordinárias águas termais que podiam, e deviam, estar ao serviço da população e dos seus visitantes.

Bem pode Vasco Cordeiro pregar uma espécie de moral imaginária para as suas plateias repletas de dirigentes públicos atemorizados com o desgaste do regime e com os seus casos de doutorada incompetência, que isso não resolve os problemas dos Açores e, muito menos, os problemas de ilhas que deprimem às mãos de um poder defunto de responsabilidades.

Em seis dos vinte anos de poder exercido em comunhão com um dote de milhares de milhões de euros, as Termas do Carapacho passaram de um local onde se faziam tratamentos de reumatologia, benzidos por águas de excelência que dispensam certificação em rótulo, para um desvario de gastos em obras em cima de obras e sempre sem que um qualquer responsável executivo instalado há muitos anos fosse chamado à responsabilidade não só pelos erros cometidos mas, sobretudo, pelos prejuízos causados à ilha Graciosa e à oferta termal dos Açores.

Pode, ainda, Vasco Cordeiro tocar a rebate para que todos os seus confessos botem sentido na manutenção de um poder que os isenta de prestar contas a quem quer que seja, que isso não inibe os 20 anos que o regime carrega em ombros e que, para o bem e para o mal, merece a responsabilização política ou outras, se tal couber no âmbito das decisões tomadas ou das omissões cometidas.

As Termas do Carapacho ainda funcionam a menos de meio gás, mas isso não impede que, a cada vez que um responsável político do poder se predispõe a uma declaração pública sobre o assunto, tudo vá bem encaminhado para resolver os problemas que, imagine-se, foram criados pela empenhada vontade em dar o melhor aos seus concidadãos.

Bem pode pois Vasco Cordeiro, de peito aberto, clamar por um futuro com novos protagonistas e arrojadas políticas, que isso não esconde ou sequer turva a sua própria sombra e aqueles que nela se deleitam ou escondem em novas roupagens como se de novos intervenientes se tratassem.

É que não basta entrarem por uma porta diferente para ocupar um novo posto que os fará reconvertidos depois de serem recauchutados.

Tal como nas Termas do Carapacho, também as sucessivas requalificações, umas após as outras, trouxeram somente um ânimo fugaz de que tudo iria melhorar para depois, de novo, tudo regressar ao ponto de partida. Afinal, o que é mais milhão menos milhão para quem assim procede?

Depois de muitos prejuízos e de sucessivos erros não se conhece um único momento em que o poder dos Açores tenha olhado para o espelho e sentido responsabilidade. Caberá aos açorianos notá-lo quando tiverem oportunidade.

 

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