Balanço 2015

Opinião de Inês Sá

Ines SaPropositadamente, e contrariamente ao que seria certamente o mais fácil e oportuno, não pretendo debruçar-me hoje sobre o Natal. Não por qualquer motivação ideológica, mas porque esta é para mim uma época que, apesar de tradicionalmente apelar à união, à solidariedade, à família, ao convívio e à partilha, inevitavelmente traz também à tona a solidão, a pobreza, a tristeza e a angústia, de tantas e tantas pessoas que por este mundo fora se encontram desprovidas de conforto, de quentinho, de aconchego e de serenidade, ingredientes estes fundamentais na mesa de uma ceia de Natal. Por tudo isto e porque admito que, ao fim de uma semana repleta de festas de Natal, ora da escola, ora do futebol, ora do ATL, do trabalho, dos amigos chegados e ainda da ginástica da mais nova, já tenho sininhos, presépios, músicas, prendinhas e bolinhas, mais do que suficientes, pelo menos até ao Natal do próximo ano!

E num ápice chegamos ao final de 2015… Esta é aquela altura em que tudo nos parece fugaz, em que invariavelmente achamos que o tempo voou, em que confrontamos o que foi com aquilo que achamos que devia ter sido… o que fizemos indiscutivelmente bem e aquilo em que redondamente falhamos, o que alcançamos e aquilo que deixamos escapulir-se das nossas mãos. O balanço pode ser positivo, mas nunca será o ideal, que mais não seja porque ao longo de 12 meses tanta coisa se transforma, amadurece, perde relevância, amorna, se agiganta, se ausenta, nos encanta ou nos afasta, até mesmo a saúde que sempre ocupa o lugar de destaque na lista dos desejos, na altura do balanço final e se ao longo do ano nunca foi amordaçada, quase passa por esquecida! É normalmente na gaveta da cozinha, aquela onde tudo é possível de se encontrar, desde as pilhas, aos carregadores, postais de aniversário, porta moedas antigos, botões e retalhos, onde costumo colocar a minha lista de desejos, não pelo desafio que eles possam representar, mas essencialmente pela curiosidade que tenho em observar o quão diferentes são, ou não, as minhas prioridades/ objetivos, de ano para ano. Claro que nos primeiros lugares estão sempre aqueles desejos quase que indispensáveis à condição humana, porque sem estes nenhum dos seguintes seria possível, mas felizmente que os restantes dificilmente se mantêm para o ano seguinte, o que não quer obrigatoriamente dizer que foram objetivos alcançados, muitas vezes simplesmente perderam a importância. E não deixa de ser digno de registo, o quão diferentes nos tornamos à medida que a idade avança… a serenidade que conquistamos, as incertezas que clarificamos, a capacidade de valorizarmos aquilo que temos, a facilidade com que nos roubam um sorriso, a importância dos nossos amigos, a insignificância daqueles que jamais o serão, a magia de um qualquer momento, a intensidade do tempo, o significado daquele abraço… Esta sensação de plenitude, aliada à contradição de um inconformismo inato, ou até quem sabe genético, que (in)felizmente me caracteriza, leva-me a desejar que cada badalada, cada passa mastigada, cada brinde, cada sorriso e cada lágrima, se traduzam em diferentes incentivos, que me obriguem a dar sempre e a cada ano que passa, o melhor de mim. O mesmo desejo aos meus familiares, aos meus amigos e a todos aqueles que através deste nosso espaço quinzenal, por acidente ou propositadamente, me concederam ao longo deste ano, o privilégio de partilhar comigo estes pequenos, apesar de imensamente sentidos, desabafos.

À vossa! Feliz 2016!

 

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