Passos disponível para rever Constituição e ir para eleições

Passos CoelhoO primeiro-ministro em funções, Passos Coelho, defendeu que o PS não tem uma solução alternativa de governo “estável e duradouro” e disse estar disponível para fazer uma revisão constitucional extraordinária para permitir fazer eleições já.

“Estou inteiramente disponível para dar o meu apoio à revisão constitucional para que o Parlamento possa ser dissolvido”, disse Passos Coelho esta noite numa sessão com militantes, em Lisboa, referindo-se à limitação que existe na Lei fundamental para a convocação de novas legislativas.

Nas jornadas conjuntas PSD/CDS, o líder social-democrata defendeu que um governo “não pode governar contra a maioria absoluta do Parlamento e se o Parlamento não respeita a vontade popular”. “Em circunstâncias normais, o Parlamento devia ser dissolvido para que fosse o povo a decidir”, disse, defendendo que “quem quer governar em alternativa a quem ganhou com o apoio popular, devia comprometer-se em garantir as condições de dissolução do parlamento”.

Num discurso violento, Passos Coelho acusou os socialistas e os restantes partidos de estarem a querer o poder sem terem o voto popular. “Será impossível estes partidos [PS, PCP, BE e PEV] prosseguirem a sua actuação no Parlamento e no Governo sem admitirem que vão ter um Governo que representa uma fraude eleitoral e um golpe político”, disse.

Estas palavras duras foram repetidas para desafiar António Costa a aceitar o repto. “Mas se não aceitarem, se preferirem governar, como quem assalta o poder e defrauda os eleitores, não têm nenhuma legitimidade para exigir ao PSD e CDS seja o que for”, advertiu, sugerindo que o PSD e o CDS vão opôr-se sistematicamente às iniciativas do PS no Parlamento. “Não vale a pena virem perguntar como é que vamos votar. Vamos votar de acordo com a nossa consciência”, disse.

Referindo-se ao debate do programa de Governo, o primeiro-ministro acusou António Costa de se ter furtado à discussão. E concluiu que o motivo se tornou claro: “Disse que nunca derrubaria um governo sem ter uma alternativa de Governo estável, duradouro, coeso e consistente. E esse governo não existe”.

Passos apontou ainda o que considerou serem as fragilidades dos acordos à esquerda, sem compromissos com a participação de Portugal no euro e na NATO. “É dito com uma certa pompa que os partidos, que se uniram, mantiveram intacta a sua visão da democracia, da Europa. Quem é como quem diz, nunca se entenderão”, disse, arrancando, neste momento e noutros, algumas gargalhadas na sala.

Referindo-se à ideia de que o PCP terá sido “assaltado pela CGTP” para ficar com o domínio sindical “das empresas de transportes”, Passos Coelho contestou essa via, lembrando que “o país não quis um reviralho e uma espécie de frente de esquerdas desunida”. E rematou: “É preciso que os políticos se comprometam com umas novas eleições”.

Já antes da intervenção de Passos Coelho que entusiasmou os militantes dos dois partidos, Nuno Melo, vice-presidente do CDS, tinha feito um discurso duro contra os partidos à esquerda. “Não quero acreditar que vivemos num país em que se possa enganar um Chefe de Estado impunemente. Há semanas, António reclamava que podia ser primeiro-ministro porque tinha uma solução estável, duradoura. Ficámos a saber há dias que não há acordo nenhum, afinal não há uma mas três manigâncias e que só têm uma coisa em comum: uma aversão à direita, PSD e CDS”, afirmou.

Quanto aos acordos à esquerda, Nuno Melo não poupou na descrição: “São três textos, assinados em surdina, assinados numa esquina de uma mesa, com uma foto de terceira categoria porque nem sequer tiveram a dignidade de chamar a imprensa para mostrar ao país”.

 

 

 

Foto: Direitos Reservados

Público/+central

 

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